FALSA DICOTOMIA: TEORIA E PRÁTICA
Nossa sociedade há muito tem difundido o jargão “na
teoria é uma coisa, mas na prática é outra”, como forma de dizer que muitas dos
conteúdos estudados, nos mais diversos processos de educação formal, não se
aplicam à realidade. E este jargão também encontrou se espaço no campo da
educação. Temos visto e acompanhado muitos professores graduados cuja prática
docente se distancia largamente dos fundamentos das práticas de ensino
estudados durante o curso de Pedagogia.
Olhar para a
realidade das nossas escolas à parte de nosso saber empírico, não é tarefa
simples de se fazer. Muitas vezes assumimos posicionamentos particulares sobre
o que acontece no ambiente escolar, sem antes procurar entender o fenômeno
educativo na sua amplitude. Não
é minha intenção discutir aqui os motivos pelos tais profissionais atuam
daquela maneira, contudo posso afirmar com segurança que é possível articular a
teoria com a prática.
Ao planejar minhas aulas
procuro apropriar-me de ferramentas
conceituais e práticas, que garantem o exercício de um fazer docente competente.
Isto se evidencia na aplicação de estratégias didáticas que levam em
consideração a faixa etária e condições de aprendizagem (Psicologia da
Educação), os conhecimentos prévios dos alunos (diagnóstico) e os objetivos a
serem alcançados por eles (Planejamento Didático) e etc. Quando o professor não
considera tais fatores, corre o risco de insucesso no seu trabalho. É neste
sentido que a teoria não se aparta da prática. Mas há casos em que isto
realmente acontece...
Já participei de muitas
palestras com grandes nomes da Educação, cujos discursos não se aplicam na
prática por não considerarem a realidade onde atuamos. Não atentam para o
abismo entre o "aluno real" e o "aluno ideal".
Assim, cada sala de aula,
cada grupo de alunos é um universo a ser desvendado, muitas das vezes, as
práticas de sucesso de um grupo tornam-se fracasso em outro... e é por isso que
o professor deve estudar sempre... pois o ser humano, é um ser inacabado.
(FREIRE)
Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.
Paulo Freire Pedagogia da Autonomia.
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