Resenha do Livro: Por que fazemos o que fazemos?

CORTELA, Mário Sergio. Por que fazemos o que fazemos?  São Paulo, SP: Planeta,2016.


Mário Sergio Cortella é filósofo, escritor, com mestrado e doutorado em educação. Atua como professor da PUC-SP, na área da Educação. É também autor de mais de 20 livros cujos temas perpassam áreas corporativas, educacionais e saber filosófico da vida cotidiana.

Esta obra, em específico propõe a reflexão sobre temas que angustiam o profissional dos dias atuais: salário, reconhecimento, valorização, propósito... o que buscamos no trabalho que executamos? - é a o pensamento central.


Devido à alta onda do desemprego, muitos estão aceitando qualquer tipo de trabalho e acabam por   fazer coisas das quais não se sentem parte. São estranhos no ninho. Primeiramente aceitam o emprego devido à necessidade de recursos financeiros, mas logo após um tempo, a euforia inicial esvai-se e o labor torna-se entediante.

Por isso a necessidade do empregador, no processo seletivo, tomar o cuidado de selecionar pessoas conscientes das razões pelas quais fazem o que fazem, e após certo período procurar saber se querem continuar trabalhando naquele lugar, pelo bem estar da convivência e da produtividade.

Assim, coloca o autor, o importante da vida é irmos nos experimentando, dando propósito à nossa vida com a consciência de que não somos descartáveis, aliás, somos autores, ao invés de meros executores. A ideia de ser autor de si mesmo, envolve ultrapassar o óbvio e ir além, em busca da excelência. Uma pessoa excelente é aquela que faz mais do que a obrigação!"

"Há uma diferença entre a rotina, na qual eu faço uma atividade notando a sequência correta e a completo, e a monotonia, em que a faço sem perceber" (p.40).

Mas seja o tempo que for nossa passagem pela empresa, que não percamos a profundidade da experiência vivida, sabendo que ela pode contribuir profundamente para nossa formação (p78). Se há alguma coisa que realmente desaponta um empregador, é ter um funcionário que não é honesto com a empresa tampouco consigo mesmo e isto se evidencia, por exemplo, no empregado que exerce sua função com má vontade, desamor, rouba horas do trabalho com atividades que lhe tiram o foco do objetivo para o qual foi contrato... isto é desonestidade, falta de bom caráter. A verdade é que não fazemos sempre o que gostamos, quando nos desgastamos numa atividade, não podemos perder o sentido daquilo que fazemos. "Trabalhar dá trabalho"

É agradável estar num lugar onde muito se aprende. Portanto, um ambiente que me faça crescer é encantador, mesmo que eu passe por ele certo período. O profissional dos tempos de hoje sabe que passa pela crise, mas não se deixa abater por ela, pelo contrário, procura aproveitar as circunstancia para investir em aperfeiçoamento de competências... se fica depressivo, é só por um tempo curto,  logo após, levanta, "sacode a poeira" e dá a volta por cima.

Se estou a fazer o que faço, é porque o lugar onde faço e o que faço produz um impacto positivo  nas pessoas envolvidas.  O que me faz permanecer onde estou, é o fato de eu me sentir bem no que faço e este fazer me valora.

Fazer carreira é portanto, elaborar projetos e metas que sinalizam possibilidades e limites de progressão. Isto exige atitude, iniciativa, mobilidade e não estagnação.

"Assim, caminhamos para o futuro, com propósito, esforço e alegria, sabendo que ciladas e sobressaltos exigem de nós paciência na turbulência e sabedoria na travessia..." (p.174)

A obra me encantou pela forma com que discute os problemas da vida no trabalho. Hoje em dia, andamos cada vez mais ansiosos e angustiados com a instabilidade que nos cerca, não paramos pra observar e aproveitar as experiências do percurso, temos pressa "de sucesso", mas quando surgem os problemas, logo nos abatemos.

Queila Leite





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