Pegagogia... um grande arrependimento?

 

"A opção por uma profissão nem sempre é algo fácil e pode tornar-se uma tortura para o jovem que necessita posicionar-se diante de uma profissão. Isso ocorre porque normalmente a escolha é feita numa época de transformações e mudanças físicas e psíquicas, o que por si só já gera conflitos. Além disso, a sociedade, a família e os amigos cobram urgência num posicionamento para o qual nem sempre o jovem está preparado". (educador.brasilescola.uol.com.br)

Eu escolhi escrever sobre esse tema, pois até pouco tempo, hoje com 41 anos,  não me sentia plenamente realizada em minhas escolhas profissionais...  na verdade, um eterno estado de incompletude sempre me cercou, o que por um lado, me faz sempre buscar algo novo – características de pessoas criativas – por outro lado, carregava comigo uma sensação de nunca alcançarei a plenitude de uma carreira profissional – talvez eu não seja a única a viver neste estado...

Eu tinha 18 anos quando entrei para a Universidade. Depois de ter passado dois anos estudando Ciência da Computação entre 1998 e 2000, decidi que aquela não era a carreira que eu seguiria, apesar do “boom da computação” estar muito em alta naqueles tempos. Eu não gostava de cálculos, nunca tive um raciocínio lógico muito apurado e tão pouco eu gostava de lidar com máquinas... definitivamente passar horas atrás de um computador, programando ou consertando hardware não seria minha paixão.

Após conversar com alguns professores, eles me apontaram que meu perfil era mais orientado para a área de humanas, para o estudo de Literatura, jornalismo ou área da docência. Alguns anos depois, iniciei um curso de Pedagogia.

Então por 4 anos me preparei para entrar numa sala de aula como uma professora. O curso foi muito teórico, extremamente denso, com muitas exigências de leituras, pesquisas bibliográficas e de campo, além do período de estágio supervisionado. Eu estava feliz e me sentia realizada ao concluir aquele curso. O que eu mais desejava era passar em um concurso público e iniciar minha carreira como docente. E isto aconteceu em 2010 quando fui aprovada em um concurso na prefeitura de Suzano – SP, Brasil.

Fui aprovada para o concurso de Professora Adjunta – uma função específica de substituir  os professores efetivos, quando estes estavam ausentes. Sendo assim, eu não tinha uma turma fixa, a cada dia, eu estava em uma escola diferente com alunos com idades que variavam entre 03 e 15 anos. Diariamente eu tinha que me dirigir ao Polo central e de lá eles me designavam para uma escola onde havia um professor ausente.

Pelo período de 1 ano, eu ministrei aulas nesse formato. Eu tinha que carregar comigo uma séria de aulas elaboradas para todas as faixas etárias que minha formação permitia ensinar. E devido a esta flexibilidade, pude conhecer bons e maus profissionais, boas e más escolas, e vi de perto a desigualdade social entre escolas centrais e escolas de bairros da periferia.

Alguns professores mais comprometidos e organizados deixavam o conteúdo da aula pra eu ministrar, juntamente com as atividades; outros, porém, não se importavam – a preocupação da escola era manter seus 30 alunos confinados ordeiramente em sala de aula, pelo período de 5 horas – ninguém me procurava para saber o que eu havia ensinado aos alunos.

Após 1 ano de trabalho eu pedi exoneração do cargo. O salário não compensava todo o desgaste físico e vocal, a falta de unidade entre os profissionais de educação, a falta de padrão nos modelos de ensino adotados e principalmente a falta de investimento financeiro nos educação das crianças. Ao mesmo tempo que eu estava em todo lugar, não me sentia parte de lugar algum – era impossível perceber o impacto e o resultado do que eu fazia na vida dos alunos. Na verdade, tudo o que eu pensava, ou tudo o que a Faculdade de Pedagogia idealizou como “o padrão de qualidade de ensino”, nada se concretizara em mim. Infelizmente, me desencantei e em 2011 parti para o ensino em redes privadas do ensino.

Foi quando me candidatei na Faculdade Teológica Ibetel para ministrar algumas matérias na área da Educação Cristã, e ali me senti muito realizada, pois fazia parte de um projeto em que pude ver a evolução dos alunos, no início ao término do curso. Para mim, o bom professor é aquele que não se preocupa em ser
conteudista, mas que promove a circulação do conhecimento, que aguça a curiosidade, que proporciona a reflexão, abrindo espaço para o diálogo saudável, para a troca de informações, propondo que cada sujeito envolvido no processo deixe sua opinião – as informações que já tem sobre algum assunto.

O bom professor nunca ministra uma aula da mesma maneira, ele permite que o lúdico, a inovação e a criatividade façam parte das atividades rotineiras da sala de aula, pois aprende-se muito mais através da diversão e do prazer, independente da idade. Hoje, meu desejo é continuar na carreira docente na área da teologia cristã, sempre me aprimorando e em sintonia com as tecnologias de ensino.

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